Eu mudei!

Tenho observado as pessoas.
Tenho observado a mim mesmo.
Tenho refletido muito sobre tudo o que está a minha volta.
Deixei para trás a vida agitada e complexa de minha cidade, das manhãs em Copacabana e dos jogos de meu time no Maracanã.
Deixei também os “megacultos” e o “glamour” dos disputados púlpitos que me convidavam e até me pagavam para falar neles.
Deixei os passeios nos shoppings, os voos semanais e a correria insana de uma vida que gostava de como era vivida, mas que desconhecia que isso não era tudo.
Minha vida hoje é bem diferente. Vivo no sossego de um lavrador feliz.
Acordo cedo, muito cedo mesmo. Vou ver a plantação e toco a lavoura com o que tenho aprendido aqui.
O que a vida tem me ensinado neste último ano é algo que não se encontra nos livros.
Tenho aprendido a esperar o tempo das coisas. As sementes precisam do seu tempo próprio para cumprir o seu papel de germinar.
As coisas aqui parecem andar devagar, mas só parecem! Aqui elas obedecem cada uma o seu tempo de ser, de existir. Isso é maravilhoso!
Complicamos demais nossa vida em busca de coisas que não serão pra sempre, mesmo que sejam, pois queremos mais e mais e nunca estamos satisfeitos com nossas conquistas.
Fomos estragados pelo consumismo, pela vaidade, pelas aparências, pelas mentiras que mesmo não contadas são vividas e numa loucura as expomos com doentio orgulho. Onde eu estava com a cabeça nos meus primeiros anos? Primeiros quarenta anos...
Acordar com o canto do galo... dormir com o coaxar dos sapos... passar o dia com o canto dos pássaros... viver com gente que de tão verdadeira parece simples demais e são mesmo...
A internet não “pega” aqui e o telefone celular entra em área quando quer.
Assistir televisão só com antena parabólica, Rádio não existe na cidade e nem na vila onde moro. Ouvimos somente as de outras cidades que alcançam nosso pedaço de chão.
Tenho entendido o verdadeiro sentido das estações. Aqui a chuva e o sol tem cada um o seu valor real. Esse ano nós torcemos pela chuva cair e abençoar nossa plantação. Como eu reclamava da chuva quando ela me atrapalhava ir à praia! Agora sou amigo dela e é sempre um prazer tê-la aqui em nossa terra!
O sol até que é bem vindo, mas ele às vezes é como visita que se esquece da hora de ir e que deixa a gente inquieto.
Macacos também nos visitam. Estes sempre com muito barulho nas copas das árvores chegam, comem, sujam o chão e partem sem sequer se despedirem. Deus os fez assim e essa terra também lhes pertence.
Os papagaios que voaram em direção ao leste no último verão este ano já estão de volta. Eles foram com seus pares e com seus pares voltaram também. Pense numa criatura barulhenta!
Uma égua deu cria e nos presenteou com uma linda potrinha marrom.
Nossa porquinha Pepa está quase adulta. Já já será mamãe de pelo menos quatorze porquinhos.
Enfim, a vida se repete ano após ano e cada um aqui cumpre o seu papel no Mundo dos normais e simples.
Quando tiver um tempinho vem pra cá! Tem coisas aqui que talvez você nunca tenha visto. Tem gente aqui que você precisa conhecer. A vida aqui é desafiadora e somos constrangidos a sermos nós mesmos.
Porém, não se esqueça de avisar, pois aqui nós gostamos de receber bem com coisas do tipo bule no fogão de lenha, macaxera e tapioca quentinhas sobre a mesa e um bolo de milho fofinho e feito com muito carinho.
Tem também rede sobrando pra quem você trouxer. Não se preocupe com mais nada. Aqui Deus nos tem dado tudo àquilo que nos é necessário, até a saudade de vocês.
Com carinho,

Rogério Bitencourt – Terra Alta - Pará

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